terça-feira, 16 de agosto de 2011

PIRAMBU UMA REQUENGUELA


            Olhando para nossa historia podemos avaliar nosso futuro, a quarenta e sete anos atrás os fundadores do Município de Pirambu jamais poderiam imaginar que levaríamos tanto tempo para conquistar nossa independência, quase meio século se passou e tivemos que conviver com muita desigualdade, muita concentração de renda, muita concentração fundiária, muito abuso de poder econômico, muita corrupção e muita impunidade, graças a nosso Pífio desenvolvimento econômico e nossa baixa densidade demográfica continuamos como distrito Judiciário de Japaratuba, fato este que tem contribuído para alguns fatos, dificultado o acesso a direitos básicos dos cidadãos, como o acesso a justiça, o direito do consumidor, a manutenção da ordem pública, além de favorecer os desmandos na administração pública, o aumento do descrédito da comunidade na solução de problemas locais e a omissão de muitos cidadãos Pirambuenses juntando com a ganância de poucos aproveitadores que contribuíram para nos projetar na mídia nacional como uma requenguela, (terra de ninguém).
              Outro fato que não devemos esquecer foi à repressão de órgãos ambientais junto ao setor pesqueiro do Município que foi a grande vocação da comunidade e tinha um grande apelo econômico. Nas últimas décadas tivemos que superar dificuldades básicas como conviver sem um posto de combustível para abastecimento de nossos veículos, o fechamento da agência do Banco do Brasil, um ginásio poliesportivo, um hospital, estradas vicinais de qualidade, de quebra tivemos ainda uma intervenção judiciária que não serviu para absolutamente nada, só projetou os envolvidos para o cenário político estadual e nacional. Perdemos nossa identidade cultural com a introdução de um modelo de desenvolvimento reducionista dos valores humanos, consumista, desequilibrado e brega.
                Esse debate passa, é claro pela discussão de um projeto político de sociedade em que acreditamos e devemos defender. É necessário conhecermos um pouco da nossa historia, devemos pensar em dar um sentido mais ético ao nosso modelo econômico e social, Vivemos em uma sociedade capitalista, excludente, que promove a concorrência a qualquer custo, o culto ao corpo, ao ter e por aí vai, um picareta bem sucedido pode ser Sinônimo de sucesso, graças a uma comunidade oprimida, que não busca sua emancipação, que não tem sentimentos de coletividade, que não critica, que não sugestiona, que não toma parte nas discussões de assuntos relevantes aos seus interesses, que não se soma, que não contribui para a construção de um processo democrático participativo. 
                     Devemos exigir a execução de políticas públicas como educação, esporte, lazer, saúde, cultura, moradia, um atendimento compatível às nossas necessidades básicas. Existe uma tendência da sociedade civil em assumir cada vez mais a execução de alguns serviços que até então sempre foram papel do Estado, é importante se intensificar a inversão destes papéis. A realidade atual é de famílias sem renda e/ou com renda informal, sem uma cobertura de saúde que de fato compreenda saúde, na prática, sob a ótica de que ter saúde é ter educação com qualidade, dignidade, emprego, alimentação equilibrada, oportunidades de cultura e lazer, etc. Nesse contexto, o que esperar destas famílias senão a tão criticada solicitação da esmola que já dizia sabiamente Luiz Gonzaga: “ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. E claro que podemos esperar das famílias mais do que somente pedir esmolas, mas é preciso por parte do Estado investimentos, que esta faça mais do que dar esmolas. Entretanto, para uma grande maioria, a esmola é o caminho mais fácil, prático e rápido, que consola o coração de muita gente preocupada em demonstrar o quanto são “bonzinhos”. O Estado de barbárie que vivemos hoje é conseqüência direta da ação dita “rápida, prática e fácil” empreendida pelos ditadores de ontem e de hoje que argumentam estar construindo uma sociedade melhor. Mas, melhor para quem? 
                     Ainda não investimos na educação dialogada ou como diz Paulo Freire, dialógica, que permita a reflexão crítica por parte de quem vive a opressão, a classe contra hegemônica, no sentido de empoderá-la. Mas empoderar a sociedade é bom para quem? Portanto, se ainda não investimos numa educação que extrapole os liames da sala de aula, mas se estenda para as comunidades e as pessoas, se o que vivenciamos hoje, é conseqüência na lógica de que toda ação gera uma reação - está provado que a educação autoritária e ditadora dos coronéis, fazendeiros, da classe burguesa de ontem e de hoje não deu certo, é falida. 

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